Reflexões sobre a etnocomunicação:
por um audiovisual realizado de forma “perspectivada”
DOI:
https://doi.org/10.18568/cmc.v22i64.3001Palavras-chave:
etnocomunicação; indígena; perspectivada; cosmovisão; decolonialidadeResumo
Neste artigo realizamos reflexões sobre como a etnocomunicação, em suas diferentes formas de ser desenvolvida por comunidades indígenas, é concebida, carregando particularidades que identificamos no exercício da comparação com o modo padrão de desenvolver audiovisual da sociedade ocidentalizada. A partir da etnografia e trabalho de campo feita junto ao povo Xukuru do Ororubá, observação participante, relato experiencial e pesquisa bibliográfica, conseguiu-se levantar, descrever e analisar distintos modos de concepção e execução do processo audiovisual em quatro comunidades indígenas diferentes, localizadas entre Colômbia e Brasil. Propõe-se desenvolver a ideia de “comunicação perspectivada”, relacionado diretamente aos povos indígenas e aos pensamentos decoloniais latino-americanos. Constatamos que se trata de uma comunicação que se faz através de cada cosmovisão, tornando-a única na concepção e realização.
Downloads
Referências
ARAÚJO, M. G. Limolaygo Toype: território ancestral e agricultura indígena do Ororubá em Pesqueira e Poção, Pernambuco. Tese (Doutorado em Geografia) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/43455. Acesso em: 4 out. 2024.
BANIWA, G. L. S. O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: MEC/Secadi, 2006.
BARRETO, J. P. L. Waimahsã: peixes e humanos. Manaus: Valer; Universidade Federal do Amazonas, 2023.
BARTOLOMÉ, M. A. As etnogêneses: velhos atores e novos papéis no cenário cultural e político. Tradução de Sergio Paulo Benevides. Mana, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, p. 39-68, 2006. https://doi.org/10.1590/S0104-93132006000100002
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional da Saúde. Portal. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/. Acesso em: 5 abr. 2025.
CARVALHO, J. J. Encontro de saberes e descolonização: um movimento de descolonização do mundo acadêmico. In: BERNARDINO-COSTA, J.; MALDONADO-TORRES, N.; GROSFOGUEL, R. (Org.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte: Autêntica, 2018. p. 79-106.
COSTA, B. C.; SANTI, J. V. Comunicar para mobilizar: as práticas etnocomunicativas do Conselho Indígena de Roraima. In: ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 28., 2019. Anais [...]. Rio Grande do Sul, 2019.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Os indígenas no censo 2022. IBGE, 2022. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/images/educa/os-indigenas-no-censo-2022-livreto.pdf. Acesso em: 4 ago. 2025.
ITAÚ CULTURAL. Anápuáka Tupinambá - Culturas indígenas. YouTube, 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HfekM1zoq5E. Acesso em: 4 abr. 2025.
KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
MACBRIDE, S. Un solo mundo, voces múltiples. Illus, 1980. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000040066. Acesso em: 15 jan. 2025.
MÁRQUEZ, M. C. Revalorización cultural e identitaria de mujeres afrodescendientes e indígenas en radios comunitarias. Chasqui. Revista Latinoamericana de Comunicación, n. 140, p. 163-178, abr./jul. 2019.
MINGO, E. G. Imágenes y sonidos del Wall Mapu. El proyecto de descolonización del universo visual y sonoro del Pueblo Mapuche. EMPIRIA. Revista de Metodología de Ciencias Sociales, n. 35, p. 125-151, set./dez. 2016. https://doi.org/10.5944/empiria.35.2016.17171
OLIVEIRA, L.; FIGUEROA, J. V.; ALTIVO, B. R. Pensar a comunicação intermundos: fóruns cosmopolíticos e diálogos interepistêmicos. Galáxia, São Paulo, n. 46, p. 1-17, abr. 2021. https://doi.org/10.1590/1982-2553202147910
PERUZZO, C. M. Conceitos de comunicação popular, alternativa e comunitária revisitados e as reelaborações no setor. ECO-pós, v. 12, n. 2, p. 46-61, maio/ago. 2009a. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v12i2.947
PERUZZO, C. M. Movimentos sociais, cidadania e o direito à comunicação comunitária nas políticas públicas. Revista Fronteiras – Estudos Midiáticos, v. 11, n. 1, p. 33-43, jan./abr. 2009b. https://doi.org/10.4013/5039
QUIJANO, A. Colonialidad y modernidade/racionalidade. Perú Indíg, v. 13, n. 29, p. 11-20, 1992. Disponível em: https://www.lavaca.org/wp-content/uploads/2016/04/quijano.pdf. Acesso em: 4 jun. 2024.
QUIJANO, A. Cuestiones y horizontes: de la dependencia histórico-estructural a la colonialidad/descolonialidad del poder. Buenos Aires: CLACSO; Lima: UNMSM, 2020.
QUINTERO, D. T. Comunicação comunitária indígena: a Ororubá Filmes como um processo decolonial. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/52116. Acesso em: 17 nov. 2024.
SANTOS, B. S. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
TORRICO, E. Para uma comunicação ex-cêntrica. MATRIZes, São Paulo, v. 13, n. 3, p. 89-107, 2019. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v13i3p89-107

