Assistir a um filme com outros
rumo a uma teoria do espectador coletivo
DOI:
https://doi.org/10.18568/cmc.v22i63.3034Palavras-chave:
Comunicação, ConsumoResumo
Este ensaio sugere que assistir coletivamente a um filme com atenção silenciosa deve ser considerado uma forma de ação conjunta. Quando espectadores assistem a um filme em silêncio no cinema, eles não estão apenas envolvidos em ações individuais – assistir com outros frequentemente implica uma atividade compartilhada baseada em uma intenção coletiva, na qual os espectadores prestam atenção conjunta a um único objeto: o filme. Recorrendo a debates recentes sobre intencionalidade coletiva e sentimentos compartilhados na filosofia analítica e na fenomenologia, mostro que essa abordagem da filosofia social pode ter ramificações importantes para a teoria e a história do cinema. Proponentes de diversas abordagens teóricas – como estudos culturais, teoria cognitiva do cinema, fenomenologia fílmica ou estética da recepção – consideram o espectador ativamente envolvido com o filme. Se isso for verdade e os espectadores estiverem todos ativos, sentados na mesma sala de cinema assistindo ao mesmo filme de maneira quieta e atenta, parece razoável argumentar que, em algum sentido importante, eles agem conjuntamente. Meu argumento servirá como um passo em direção a uma teoria e fenomenologia mais abrangentes do espectador coletivo no cinema – um aspecto subvalorizado na história da teoria cinematográfica.

