O corpo ontológico e coletivo do ator em Sete anos em Maio
DOI:
https://doi.org/10.18568/cmc.v22i63.2974Palavras-chave:
jogo atoral, estudos atorais, cinema brasileiro, ator, performatividadeResumo
Este artigo investiga o jogo atoral no cinema brasileiro dos anos 2010, analisando a relação do ator com a personagem, a ficção e a fabulação. Nesse período, observa-se um aumento no uso de atores não profissionais, que representam questões sociais específicas de raça, classe e gênero. Nesses casos, o jogo atoral baseia-se em princípios hiper-realistas (Margulies, 2016), performativos (Baumgärtel, 2018) e épicos. Os princípios hiper-realistas e performativos são cruciais para a formação de um "amálgama total" (Autor, Ano) entre ator e personagem, enquanto a qualidade épica (Brecht, 1978; Rosenfeld, 1985) e a alegoria (Xavier, 2015) ajudam a coletivizar essa experiência para um grupo social, operando um gesto crítico sobre a narrativa do filme.
Downloads
Referências
A VIZINHANÇA DO TIGRE. Direção: Affonso Uchôa. Belo Horizonte: Katásia Filmes e A Produtora, 2014. 1 filme (94 min.).
ARÁBIA. Direção: Affonso Uchôa e João Dumans. Belo Horizonte: Katásia Filmes e Vasto Mundo, 2017. 1 filme (96 min.).
BARON, C.; CARNICKE, S. M. Reframing screen performance. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2008.
BAUMGÄRTEL, S. A eficácia da performatividade: construir o efeito de como acontecimento discursivo. In: BAUMGÄRTEL, S.; CARREIRA, A. (Org.). Efetividade da ação: pensar a cena contemporânea. Rio de Janeiro: Gamma, 2018. p. 125-150.
BRASIL, A. G. A performance: entre o vivido e o imaginado. In: ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 20., 2011, Porto Alegre. Anais eletrônicos... Campinas: Galoá, 2011. Disponível em: https://proceedings.science/compos/compos-2011/trabalhos/a-performance-entre-o-vivido-e-o-imaginado?lang=pt-br. Acesso em: 19 nov. 2024.
BRECHT, B. Estudos sobre teatro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.
CARDOSO, M. Fátima Toledo: interpretar a vida, viver o cinema. São Paulo: LiberArs, 2014.
CÉSAR, A. Fabulação e figuração da alteridade em Cidade de Deus. RUA: Revista de Urbanismo e Arquitetura, Salvador, n. 10, p. 72-83, 2006. https://doi.org/10.9771/rua.vi0.3174
CÉSAR, A. Le cinéma comme articulation des différences culturelles: une approche post-coloniale du cinéma brésilien. Mise au Point, v. 2, 2010. https://doi.org/10.4000/map.1172
CHIARETTI, M. L.; ARAÚJO, M. A periferia reimaginada: uma conversa com Affonso Uchôa. Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento, v. 7, n. 2, p. 192-211, 2020. https://doi.org/10.14591/aniki.v7n2.677
CIDADE DE DEUS. Direção: Fernando Meirelles e Kátia Lund. São Paulo: O2 Filmes e Video Filmes, 2002. 1 filme (130 min.).
CIDADE DOS HOMENS. Direção: Paulo Morelli. São Paulo: O2 Filmes, 2007. 1 filme (106 min.).
COSTA JÚNIOR, E. A política e as noites no cinema brasileiro recente. Revista Eco-Pós, v. 25, n. 2, p. 258-282, 2022. https://doi.org/10.29146/ecops.v25i2.27662
COSTA JÚNIOR, E. Corpo e experiência histórico-social no cinema brasileiro (2014-2021). Significação: Revista de Cultura Audiovisual, v. 50, p. 1-21, 2023. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2023.212682
DAMOUR, C. Deux visages du jeu mélodramatique au cinéma: Garbo et Kidman. In: NASTA, D.; ANDRIN, M.; GAILLY, A. (Org.). Le mélodrame filmique revisite. Bruxelas: PIE Peter Lang, 2014. p. 179-189.
DAMOUR, C. Montgomery Clift: le premier acteur moderne. Estrasburgo: ACCRA Études Actorales, 2016.
EDUARDO, C.; HALLAK, R.; HALLAK, F. (Org.). O cinema brasileiro em resposta ao país 2016–2021. Belo Horizonte: Universo, 2022.
GAGGIOTTI, M. Nonprofessional film performance. Londres: Palgrave Macmillan, 2023.
GLEGHORN, C. A star is born: the rising profile of the non-professional actor in recent Brazilian cinema. In: BERGFELDER, T. et al. (Org.). Stars and stardom in Brazilian cinema. Londres: Berghahn, 2017. p. 210-226.
GUIMARÃES, P. M.; OLIVEIRA, S. O amálgama ator-personagem: da mímesis transparente à atuação experimental. Revista Famecos, v. 26, n. 1, e30037, 2019. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2019.1.30037
GUIMARÃES, P. M.; TINEN, P. As dimensões políticas da reflexividade épica em O Enforcamento. Revista Eco-Pós, v. 23, n. 2, p. 305-329, 2020. https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i2.27635
HEATH, S. Questions of cinema. Bloomington: Indiana University Press, 1981.
LEAL, J. V. R. Pessoa, figura, presença: o personagem cinematográfico entre o narrativo e o sensorial. 339 f. Tese (Doutorado em Meios e Processos Audiovisuais) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.
LEANDRO, A.; ARAÚJO, M. Torturadores e torturados: a violência de Estado em dois filmes brasileiros recentes. Doc On-line, n. 28, p. 40-63, 2020. https://doi.org/10.25768/20.04.02.28.03
LEITES, B. O naturalismo e suas dispersões em filmes brasileiros dos anos 2000. Intexto, n. 49, p. 173-195, 2020. https://doi.org/10.19132/1807-8583202049.173-195
MARGULIES, I. Nothing happens: Chantal Akerman’s hyperrealist everyday. Durham: Duke University Press, 1996.
MARTINS, L. M. Performance e drama: pequenos gestos de reflexão. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, v. 21, n. 1, p. 101-109, 2011. https://doi.org/10.17851/2317-2096.21.1.101-109
MESQUITA, C. Sete anos em maio: entre a solidão do sobrevivente e a expansão do trauma. In: CARDOSO E VALE, G. et al. (Org.). Forumdoc.bh.2019. Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2019. p. 178-182. Disponível em: https://www.forumdoc.org.br/catalogos/2019. Acesso em: 20 jun. 2024.
NAREMORE, J. Acting in the cinema. Berkeley/Los Angeles/Londres: University of California Press, 1988.
NOSSA MÃE ERA ATRIZ. Direção: André Novais Oliveira e Renato Novaes. Belo Horizonte: Filmes de Plástico, 2023. 1 filme (26 min.).
OLIVEIRA, M. C. V. “Novíssimo” cinema brasileiro: práticas, representações e circuito de independência. São Paulo: FFLCH/USP, 2016.
RAMOS, F.; SCHVARZMAN, S. (Org.). Nova história do cinema brasileiro. São Paulo: Edições Sesc SP, 2018. 2 v.
ROSENFELD, A. O teatro épico. São Paulo: Perspectiva, 1985.
SETE ANOS EM MAIO. Direção: Affonso Uchôa. Belo Horizonte: Vasto Mundo, 2019. 1 filme (42 min.).
TAYLOR, D. Hacia una definición de performance. O Percevejo, Rio de Janeiro, ano 11, n. 12, p. 17-24, 2003.
TROPA DE ELITE. Direção: José Padilha. Rio de Janeiro: Zazen Filmes, 2007. 1 filme (119 min.).
XAVIER, I. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. São Paulo: Paz & Terra, 2005.
XAVIER, I. Alegoria, modernidade, nacionalismo. Lisboa: Azougue, 2015.

